TESTE

Horrorizada com a súbita intromissão na nossa privacidade, eu me sentei apressadamente no braço do sofá, ajeitando minha saia enquanto isso. — ... da reunião das duas horas está aqui. Precisei de alguns segundos intermináveis de pânico para perceber que Cross e eu ainda estávamos sozinhos na sala, que a voz que eu tinha ouvido vinha de um alto—falante. Cross se sentou na outra ponta do sofá, parecendo irritado, com a respiração ofegante. A braguilha da calça ostentava o volume de uma ereção impressionante. Apavorada, imaginei com que aparência eu deveria estar. E já tinha passado da hora de voltar ao trabalho. — Meu Deus. Cross passou as mãos pelo cabelo. — Estamos no meio do expediente. E na porra do meu escritório! Eu me levantei e tentei me recompor. — Espere. Ele veio até mim e levantou minha saia de novo. Furiosa com o que quase havia acontecido quando eu deveria estar trabalhando, dei um tapa nas mãos dele. — Pare com isso. Me deixe. — Fique quieta, Eva, ele disse com um sorriso, pegando nas mãos a barra da minha blusa de seda preta e a recolocando no lugar, de modo que ficasse ajustada e que os botões formassem de novo um arco perfeito em torno dos seios. Depois ele abaixou minha saia de volta, alisando—a com suas mãos seguras e competentes. — Prenda direito o cabelo. Cross vestiu o paletó, acomodando—se dentro dele antes de ajustar a gravata. Chegamos à porta no mesmo instante e, quando me abaixei para apanhar minha bolsa, ele me acompanhou no mesmo movimento. Então pegou meu queixo e fez com que eu olhasse para ele. — Ei, ele disse com uma voz suave. — Está tudo bem? Minha garganta queimava. Eu estava excitada, irritada e morrendo de vergonha. Nunca tinha perdido a cabeça dessa forma antes. E detestava o fato de isso ter acontecido com ele, um homem cuja noção de intimidade sexual era tão asséptica que me deixava deprimida só de pensar. Livrei meu queixo do seu toque. — Eu pareço estar bem? — Você está linda e louca para trepar. Me deixou com tanto tesão que até dói. Estou a ponto de voltar para aquele sofá e fazer você gozar até não aguentar mais. — Não dá pra acusar você de não ser direto, resmunguei, deixando claro que não estava ofendida. Na verdade, a brutalidade do desejo dele era um potente afrodisíaco. Apanhando a alça da bolsa, eu me pus de pé sobre as pernas bambas. Precisava me afastar dele. E, quando o dia de trabalho terminasse, precisava de um tempo sozinha com uma boa taça de Cross também se levantou. — Vou apressar tudo aqui pra terminar até as cinco. Aí desço pra pegar você. — Não, senhor. Isso que aconteceu agora não muda nada. — É claro que muda. — Não seja arrogante, Cross. Posso ter perdido a cabeça por um momento, mas isso não

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